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Texto e Foto/ Emanuel Areias

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OPINIÃO: Amigos na Ilha

Publicado por: Vitec
2017/10/15 14:12:55
Foto/ Emanuel Areias
Foto/ Emanuel Areias

Durante o verão, recebi a visita de dois amigos do Continente e penso que a ilha deslumbrou-os. O Carlos queria beber da História da ilha, e conhecer cada pormenor do património arquitetónico. A Rita queria o mar e o mato, e as paisagens naturais, para que a harmonia do campo lhe tomasse os azares que a cidade lhe dá.

Não sei se foi um sinal do destino ou a força divina a falar mais alto, mas na semana que cá estiveram, tudo se preparou, o tempo e as circunstâncias, para que pudessem andar pelo ar, navegar no mar e conhecer o fundo da terra.

 

Em tom apoteótico, reconheceram que Angra é diferente. Se não fosse o isolamento, talvez fosse rainha de Portugal, embora tenha tudo para ser a imagem de marca dos Açores. Os espaços de Angra, onde se fecundem a História com a arquitetura, fá-los acreditar que ainda há esperança para a humanidade, por existir uma cidade como esta. A baía esconde segredos, cuja magnitude, nem os homens vivos conseguem calcular. Uma cidade virada para o mar, com o monumento da Memória erguido no cimo, como se fosse o miradouro onde se deslumbra todas as criações do Homem. E o Monte Brasil, istmo da ilha, é lugar de silêncio, de apaziguamento da alma, de convívio pleno com a natureza. Para o Carlos, mas também para todos os comuns mortais, nós todos, por certo, a Câmara de Angra foi das mais bonitas que viu na vida. Ele quer entrar em todas as igrejas, ler cada placa informativa, falar com cada pessoa que tiver algo para contar. A Rita prefere comprar recordações, ver o mar calmo que bate na costa, procurar golfinhos na água.

A Praia guarda um potencial inimaginável, por explorar, mas talvez seja esse "por explorar", que reserva toda a beleza implícita no meio envolvente. A Prainha maravilha-os, porque estão na água, ao mesmo tempo que contemplam o espaço rural da Serra do Cume, que lhes fecha a visão em relação à linha do horizonte. A cidade estava em preparação para a grande festa de Verão. O ambiente é excitante e cativante. Queriam ficar para a festa que se aproximava. O tamanho da cidade não serve como critério de crítica. É um elogio dizer-se que a Praia não é grande, porque agrega, junta, faz apaixonar, aproxima, comove. É pequenina no espaço que preenche, mas grande nos sentimentos que provoca a quem lhe visita. O areal agarra-os à terra, e leva-os para o mar, como se não tivessem ação nas pernas. Teimam em tirar uma selfie com um dos nossos grandes, Vitorino Nemésio. Gostavam de saber onde tinha sido a Batalha de 11 de Agosto de 1829, e quando chegam ao lugar, onde está o azulejo comemorativo, imaginam como teria sido o conflito.

 

Conhecem toda a ilha, do litoral ao interior, vão às grutas, às piscinas naturais, ao mato ver os toiros. O Carlos esfola-se nas pedras das Escaleiras e talvez tenha perdido amor à ilha. A Rita ganha cada vez mais e já não quer sair das Escaleiras.

Conseguiram ter a chance de navegar num barco, e partem baía da Praia fora, rumo ao mar imenso, sem destino, mas com o objetivo de ver golfinhos. Olham para trás e reconhecem a imponência da ilha.

Regressam ao seu Portugal. Ao Portugal que até então conheciam. O Portugal Continental. Na sua imaginação e pensamento acabam todas as ideias tidas como dúvidas acerca das ilhas. As ilhas já são certezas para o Carlos e a Rita. E não esse fim do mundo a que são obrigados a crer.

 

Texto e Foto/ Emanuel Areias 

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