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Texto/ João Rocha joaorochagenio@hotmail.com

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OPINIÃO: Boleia da saudade à conta dos irmãos Almeida

Publicado por: Vitec
2017/11/28 13:38:00
Foto/ Direitos Reservados
Foto/ Direitos Reservados

Texto/ João Rocha

joaorochagenio@hotmail.com

 

Não teria mais do que 16 anos e foi um verdadeiro espetáculo. Na companhia de um irmão mais velho e de um amigo de infância lá consegui entrar na Twins, com orgulho indisfarçável.

Era uma noite de verão e sou capaz de precisar a minha indumentária: blusão da Nike com as mangas cortadas à tesourada, calças de ganga e sapatilhas de marca indecifrável.

Fiquei-me pelo consumo mínimo (duas cervejas), até porque o dinheiro não dava para mais, e passei quase toda a noite na pista 2, mais dada aos sons do rock, a movimentar-me numa tentativa de dança e a olhar deslumbrado, sem medo de parecer inconveniente, em direção às miúdas giras.

 

Tomei o gosto. Durante anos a fio alinhava, com os meus amigos, no encantamento da febre de sábado à noite que a discoteca representava.

Com a melhor roupinha e um penteado à maneira, os objetivos passavam por curtir a música e tentar apanhar a onda da magia associada à noite.

Cometiam-se excessos, é certo, mas o corpo não reclamava e o espírito até achava graça.

No turbilhão das emoções, referência obrigatória para dois senhores que de diferente (embora pouco) só tinham os nomes – Manuel João e João Manuel.

Aos meus olhos, todavia, eram rigorosamente iguais. Na Twins Pub Disco (fundada a 1 de dezembro de 1979) fazia sempre questão de os cumprimentar na mesma ocasião para fugir à dúvida de repetir ou esquecer saudações.

 

Com vozes e gestos inconfundíveis, agradáveis e atenciosos, davam-me lustro ao ego quando assinavam a senha a isentar o pagamento de qualquer consumo, com a recomendação (raramente seguida...) para eu ter juízo.

Em termos de animação noturna, os gémeos Almeida são referências obrigatórias da ilha Terceira e do próprio arquipélago.

Fazem rir às gargalhadas, soltar uma lágrima às vezes. Contam, mas sobretudo, geram histórias onde a vida dá a letra e forma as frases. São genuínos como o fado: embalam a música com a saudade.

 

Texto/ João Rocha

joaorochagenio@hotmail.com 

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