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Texto/ João Rocha, jornalista Foto/ Vitec

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"Carnaval é quando o homem quer... e onde escolhe estar"

Publicado por: Vitec
2018/02/16 23:50:38
Foto/ Vitec
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“Carnaval é quando o homem quer... e onde escolhe estar”

 

Mais um Carnaval na ilha Terceira.... Balanço positivo?

Claramente positivo. O nosso Carnaval é o fenómeno, a nível de cultura popular, mais aglutinador da Terceira e, também, do próprio arquipélago dos Açores.
É deveras reconfortante observar o envolvimento de tanta gente no processo de elaboração carnavalesca. Costureiras, autores de enredos, músicos, bailarinos, figurantes e por aí fora. 
O orgulho próprio e de cada freguesia sobe ao palco e todos são artistas, na verdadeira aceção do termo, por uma mão cheia de dias e noites.
O público adora, os participantes são cada vez mais e melhor preparados e, graças a Deus e ao talento criativo das gentes terceirenses, o futuro dos bailinhos e danças de carnaval é inquestionável e de enorme qualidade.

 

Não obstante a qualidade de boa parte das danças e bailinhos, o número global não peca por excessivo?

Há representações excessivas, sem a menor dúvida, mas é deveras difícil dar a volta ao texto, ou ao enredo, no caso em particular.
É um pouco como as marchas de São João, torna-se quase desumano cortar o entusiasmo popular de participar de forma direta nos festejos.
A transbordante paixão apaga, de certa forma, o sentido autocrítico.
Caberá, então, ao público fazer as suas escolhas. Se gostar do que vê, o remédio santo é aplaudir os artistas. 
Caso contrário, os bares das sociedades e casas do Povo são conhecidos e apreciados pelas saborosas bifanas e cervejas fresquinhas...

 

Como se explica que entre 30 a 40 mil pessoas se sintam cativadas por estas manifestações, que em grande parte são de crítica social e política, quando ao longo do ano o empenho de cidadania é diminuto ou mesmo inexistente?

Entendo que o Carnaval, para o povo terceirense, represente um momento de catarse. Consegue colocar fora tudo o que lhe vai na alma com a maior facilidade deste mundo num palco ou mesmo na plateia.
A crítica, que todo o ano é contida na boca ou apenas enviesada nas redes sociais, ganha asas no entrudo.
É quase um fenómeno gerado por arrastamento. Se tantos estão a bater palmas, ou a rir a bandeiras despregadas, então eu também posso fazer o mesmo.
A lógica, mais coisa, menos coisa, estará traduzida na velha expressão: é Carnaval, ninguém leva a mal.

 

Os festejos carnavalescos na rua de São João roubam público às danças e bailinhos?

Não entro nesta linha de raciocínio. É de todo legítimo festejar o Carnaval à vontade de cada qual. Gosto e elogio a riqueza cultural das nossas manifestações em palco, mas recuso que alguém tenha de ver bailinhos por imposição e falta de alternativa.
O Carnaval de rua e os bailes trapalhões têm o seu espaço e seguidores próprios. 
Na minha modesta opinião, as manifestações carnavalescas na rua de São João constituem um belo exemplo de iniciativa empresarial como atesta, aliás, a enorme afluência. 
Fazendo a analogia (embora grosseira, admito) com a quadra natalícia, Carnaval é quando o homem quer... e onde escolhe estar.

 

João Rocha, jornalista

Entrevista publicada no Diário Insular (15/2/2018)

 

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